domingo, 28 de junho de 2009

Possession

É muito engraçado como somos naturalmente possessivos com a pessoa que amamos. Uns dir-se-ão mais, outros menos, mas a verdade é que por muito que a gostemos de a sentir livre (nunca me esqueço do que dizia um marido de uma grande amiga "se te deixarem livre para regressares quando quiseres e tu regressares, então é porque "sim") não conseguimos evitar senti-la como se fosse nossa. Repentinamente, nós, que nada tivemos, somos proprietários de um outro ser, com um conjunto de idiossincrasias completamente distinto do nosso, que o destino lançou no nosso caminho. Muito bem, não podia ser mais disparatado, mas seja. A teoria racional procura imperar sobre as emoções mas, inevitavelmente, o desejo de possuir todos os detalhes daquele universo, de dizer estupidamente que este ou aquele bocadinho do outro nos pertence, usando possessivos por dá cá aquela palha, escapa-se-nos pela voz e pela vontade. Quando descobrimos coisas do passado que, racionalmente, não são mais que isso mesmo, passado, pó, história, lembranças boas ou más, não conseguimos evitar uma sensação de usurpação dolorosa. Quando queremos o outro, queremo-lo com tudo o que ele é, foi e será. Estupidamente, claro, como se o amor fosse única e exclusivamente nosso. É de um grande egoísmo, onde não impera qualquer razão. Mas enfim, quando vi aquelas fotos que nada tinham mais que história de um passado não pude deixar de me sentir agoniada, como se roubassem um pedaço que é meu. Uma estupidez, eu sei.

3 comentários:

V. disse...

Ó meu Amor... que ciumeira é essa?!Esquece o passado, o futuro pertence-te.
Eu não vejo mal algum no teu sentido de posse (desde que controlado :-)), eu também sinto que tu me "pertences".

J. Maldonado disse...

A intimidade conduz inexoravelmente à posse, e esta cria a alteridade conflitual, por isso nada melhor que uma relação desprendida, como a de Sartre e a Simone de Beauvoir. Ou então, como a de Jeanne e Paul n' O último tango em Paris... :)


PS: Devias ler "A dança da morte", de August Strindberg, pois aí terias uma noção da alteridade conflitual que mencionei atrás. Aliás, Strindberg é o melhor que há nessa temática. ;)

Cassandra disse...

V. - I can't help it, lov.


Maldonado: obrigada pela sugestão.