segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Grudge

It's quite surprising this feeling. It needs a darkened, mean heart to linger through time. No matter how ridiculous it might seem, the grudge bearers are poor people with no sense of future, lingering on to a painful distant past which anchors them, paradoxically offering them the purpose to keep going, to keep hating. Unfortunately, it drags their hearts through the mud, preventing them from letting go of all the shitty feelings they've packed.

Poor people, I dare say, for they live still, feeding on such a poor feeling. Poor people, I dare say, for their idea of superiority makes them weak and mean. Like this, they will always fail to be whole. And happy. Of course, in the end, it is never their fault.

Portuguese cinema

Como alguns amigos não falavam de outra coisa, sentia-me em falta por deixar passar "Sangue do meu Sangue". Poderoso, aflitivo, claustrofóbico, degradante, barulhento, promíscuo, etc e tal, uma panóplia de adjetivos lisonjeadores para toda a obra, em particular para os desempenhos da Rita Blanco e do Nuno Lopes. E lá fomos. Sim, concordamos com todos os adjectivos. Subscrevemos. Mas acrescentaríamos mais: demorado, penoso, manoel oliveirense de tão grande que era! Alguém nos podia ter avisado que havia duas versões: uma de 1h30... outra de 3h e30. Não há cu que aguente... 

DRIVE

I liked the film. It made me think of a soft Tarantino. Ryan Goslyn has that fabulous chemistry with the leading lady, so soft and tender.  Etherial soundtrack, quite nice. Too bloody for sensitive eyes. For those who are tired of diving their heads into paper and are dying for something new, go for it. I did and it made wonders. Just like my magnificent friend S. mentioned, Ryan Gosling is the new Steve McQueen.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Egypt

Os egípcios juntam-se na principal praça do Cairo porque querem ver os militares fora do poder.
Também aproveitam para violar qualquer jornalista estrangeira que os queira entrevistar.
Advém da revolta, I guess, um certo aumento da testosterona.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

House of Secrets


Achámos por bem alargar os nossos horizontes. Nada como ouvir os concorrentes da nova edição da Casa dos Segredos. A sintaxe perfeita, os pronomes no sítio correcto (ainda estou com dificuldade em  largar estas consoantes), a riqueza nas figuras de estilo... ultrapassa-me. Enfim. Há um facto curioso a registar. Todos os homens se sentam da mesma maneira: braços e pernas abertas, expostos ao espectador. Talvez sejam escolhidos consoante o tamanho dos cojones. Do cérebro não será, certamente.

domingo, 18 de setembro de 2011

No words

Sometimes we write about love because it has yet to be fulfilled. We want it to be real and maybe writing about it will enable us to possess a piece of someone's heart instead of a lost glance. Words about love replace the warm gestures, morning caresses, the longing for the body we once knew or the wanting of the body yet to be discovered.

I need not those words. My heart is full. No room for foolish letters.

sábado, 10 de setembro de 2011

Beginners

Beginners é um filme belo. Não há casas incólumes nem paredes imaculadas. É maioritariamente um filme indoors, sobre o quanto as nossas referências familiares influenciam as relações futuras, o quanto as nossas impressões de infância ditam os trilhos futuros, o quanto somos um produto dos nossos pais, mesmo não querendo. É igualmente uma mensagem que toca a todos: o tempo para começar de novo existe enquanto respiramos. Por vezes, inexplicavelmente, somos iniciados em várias artes, descobrindo que o amor, a liberdade ou o sexo podem ser descobertas mais tardias e profundas que aquelas incutidas pelo imaginário cinéfilo e paixões de adolescência.
Dito isto: um pai assume a sua homossexualidade perante o filho, após a morte da mulher. Aos 75 anos. Com Christopher Plummer e Ewen McGregor.

sábado, 23 de julho de 2011

Deaths

Everyone's talking about a young singer with a fabulous voice who slowly refused to "rehab"and led herself to a predictable ending. I am really sorry we have lost Freud, but most of all, the anonymous 82 youngsters who fell to the hands of a maniac in Norway. There's no doubt the first of these deaths, in spite of its "owner" apparent desire to antecipate it, will be more remembered, commented and spoken about than the other 83. Go figure the public's admiration for the suicidal.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Dress Code

Aparentemente, e de acordo com notícia do Público, a Católica decidiu instaurar regras de conduta mais apertadas no que toca à indumentária dos seus alunos e professores. Logo de imediato a blogosfera manifestou-se. Percebe-se porquê. Uma pessoa precisa de expressar o seu universo interior e a melhor forma de o fazer é expondo-se, melhor, expondo-o. Let it all out. Aliás, não percebo o inconveniente de ter um advogado de chanatos, com os pelinhos dos pés arejados, juntamente com uma togazinha de motivos havaianos; ou uma professora universitária de top justinho, de seda, claro, com um decote tão pronunciado que a La Perla possa encorajar os alunos de microeconomia para os detalhes do mercado das rendas; ou um bancário de bermudas e uma T-shirt do Benfica (porque não pode um tipo levar as várias paixões para o trabalho? Os clientes do Sporting irão a outro banco?); ou uma psicóloga de calções até às nádegas para dar maior abertura de espírito a jovenzinhos reprimidos sexualmente... Há tantos motivos para nos revoltarmos contra esta forma castradora de instituirmos um dress code nas escolas e universidades que me intriga a ausência de manifestações de nus nas ruas. Ah, já me esquecia. Isso não. É demais para este povo puritano.
Real conversation between a teacher and a student who constantly showed the biggest part of her enormous breasts in the lesson (they were so openly out in the desk her colleague had problems in finding the bloody book):
- It would be nice if you could bring something else to class, sweety. That might be too much and your colleagues are always looking. THis is a school not the beach.
- Fogo, stor, é assim que eu sou. É assim que eu me expresso!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

ALOE BLACK

Tenho dois bilhetes para vender, preço de bilheteira para o concerto do Cascais Cool Jazz Fest, dia 28 no Parque Marechal Carmona em Cascais, a preço de bilheteira. ANYONE? PLEASE.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Summertime

Finalmente. Tempo para os livros. Tempo para medir a distância do horizonte. Tempo para tirar pêlos das pernas com a pinça. Finalmente. Não é um finalmente definitivo mas é um quase. Ajudaria se o calor apertasse... mas não demasiado que me deixa o corpo dolente. Só mais um bocadinho que tenho a barriga pálida.



Como acho que tenho quase tudo, só peço bocadinhos de outras coisas. Sou uma mulher com sorte.

sábado, 2 de julho de 2011

Midsummer's night dream

Há companhias que ainda fazem coisas muito boas. Fomos ao teatro do Bairro, uma novidade já que há quem acredite ser possível montar teatros e companhias em época de crise. Com figurinos muito inteligentes e actores muito surpreendentes, com uma adaptação extraordinariamente sábia do texto shakesperiano, que fazem duas horas passar num ápice, o sonho de uma noite de Verão é uma peça a ver nesta estação quente. Até porque depois dá para beber uns copos e amar a noite.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

What I can't hold by love, I won't hold by force

Toda a gente devia seguir esta máxima.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

B.I.T.C.H.

Por vezes, ouvimos acusações tão disparatadas que nos apetece estrangular o pescoço por onde passou o ar que as proferiu. Para mim, o mais complicado prende-se não só com uma acusação falsa e gratuita mas também com a pessoa que a congemina. Quando pensamos em alguém que embandeira em arco, não faz a ponta de um corno mas tem a leviandade de se achar o supra-sumo da batatada, acusando os que verdadeiramente trabalham, tudo isto regado por uma bela ignorância e coroado por uma cabeleira amarela mal pintada... bem, só me ocorre dizer:

-Gorda, gorda, gorda, gorda! Podes dizer o que quiseres que amanhã ainda vais acordar gorda e sem bom gosto. Gorda como uma baleia. Toma! Pronto. Apeteceu-me.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

The Tree of Life




Well, well... what can I say? Let us start with the positive things: a fotografia mais bela que alguma vez vi no cinema. Uma banda sonora etérea. As interpretações muito profundas e intensas, apesar de curtas. Agora... não sei que diga das conversas religiosas, da dicotomia natureza-graça, dos momentos espirituais profundos. Há momentos em que saímos de uma narrativa cinematográfica para um documentário do National Geographic... Digamos que este filme do Malick se equipara às experiências literárias do Lobo Antunes. A narrativa desvanece-se ao longo do filme e a experiência é demasiado alternativa para quem gosta da verdadeira ficção... cinematográfica. Aqui, temos uma espécie de cocktail: Sean Penn, dinossauros, vulcões, Brad Pitt (não há nenhuma associação entre estes elementos já que falo de Tiranossaurus-Rex e vulcões havaianos (se está perdido... experimente isto numa sala de cinema perto de si), constelações, planetas, asteróides, árvores, árvores, árvores, criaturas marinhas, água, água, tubarões, crianças, erva, erva (não cannabis, apesar de parecermos estar pedrados nesta altura), partos, pés, mãos, paraíso... A determinada altura o público sentiu-se defraudado, o stress e incómodo eram evidentes. Regressaram todos após o intervalo. A segunda parte aparente maior normalidade. Ficou toda a gente. Não sei que conselhos dar, se sugira ou não. É diferente de tudo o que já vi. Compraria a primeira parte do filme para ter em casa e ouvir em surround. Não sei que mais diga excepto que tenho saudades do verdadeiro cinema, pure and simple.




Depois uma gaja lê estas interpretações todas tão intelectuais e fica a pensar cada vez mais pertence às massas. Olha, sabem que mais... ainda bem.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

The National

Curiosamente, surpreendeu-me pelo crescendo de qualidade musical em simultâneo com a sociabilização do vocalista com o público português. Nada como um bom whisky para resolver a timidez. Gostei da variedade do público: várias cores, várias idades, gerações opostas, tribos completamente distintas. De uma forma geral, pessoas unidas pelo prazer da música. Foi uma óptima noite e um concerto muito bom. I guess it was a good present.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Bad Luck



Sei que tenho descurado a escrita. Sei que tenho negligenciado os eventuais poucos e muito fiéis leitores que me espreitam de quando em vez. Worry not. É por bons motivos. Por vezes há situações de vida que nos ocupam espaço, tempo e alma porque sempre foram tão ansiadas. Vivo uma dessas. Mas essa, de tão maravilhosa que é, fica assim, em silêncio, para não se partir. Guardada como um cabelinho de criança cortado há muitos anos, protegido pelo melhor veludo e cofre mais forte.


Hoje escrevo porque sou uma gaja feliz. Muito feliz. Mas (há sempre a porra de uma adversativa)... há dias, tive o cúmulo, não um simples azar, não. O cúmulo dos azares. O maior de todos. Quase inacreditável. Uma espécie de argumento engendrado pelo Woody Allen e filmado pelo Tarantino. Reza assim:


Recebo uma multa. Até aqui... nada de novo. Imaginei porque seria. Costumo portar-me bem e só acelerei uma noite destas para ver o Real Madrid-Barcelona. Não. Nada de velocidades. Atrasei-me na inspecção do carro. Sim, sou gaja e tenho destas coisas: relações complicadas com carros e toda a logística que lhes está associada. Mas como ninguém me havia mandado parar na semana em que andei a infringir... estranhei. Onde estaria o Shrekzinho verde, de chapéu coquette, para me lixar a vida? hum? Sabem onde estava? Na rotunda antes da Controlauto, exactamente antes de fazer a inspecção e passar.


40 minutos antes da minha inspecção, o gajo autuou-me. He bloody fucked me and I didn't even notice. If that isn't bad luck, I don't know what the fuck is!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Old photographs

I have always been a sucker for old photographs. No domingo à noite, aquando uma caminhada pós-café, descobrimos um monte de móveis velhos, descoroçoados, desfeitos, poltronas rasgadas com tecido datado do Estado Novo. Uma gaveta jazia pendurada entre o mobiliário e uma caixa expunha à luz do candeeeiro fotografias velhas. Comecei imediatamente a juntá-las, a revirá-las cuidadosamente para encontrar letrinhas e dedicatórias no verso. Não ousei lê-las, tendo-me perdido apenas em duas ou três imagens: duas jovens embrenhadas em livros, uma delas com um cabelo crespo e com sardas nas bochechas e uma outra, duas crianças a andar de bicicleta numa praia, ou um local à beira-mar, difícil de precisar. Eram loiros e de pele clara e tinham uma pose de colégio interno. Apesar disso, os calções dele e o vestido dela indiciavam o ar ameno que lhes beijava as peles delicadas.
- O que vais fazer com elas?
- Não sei... mas não se deitam memórias assim fora. As fotografias são parte da vida de uma pessoa.
- Provavelmente foram deitadas fora por isso mesmo. Será uma parte da vida de que alguém se quer esquecer.
- Sim, fará sentido num divórcio, fotografias velhas de amores cheios de traça e angústia. Mas não com fotos de férias, infâncias felizes.
- E como irias encontrar o respectivo dono, caso decidisses fazê-lo?
- Digitalizaria uma e colocá-la-ia no Facebook. Alguém haveria de se acusar.
- Sim, ou de ficar furioso com a tua iniciativa.
- Pois... terás alguma razão. Mas custa-me deixá-las assim, como se deitássemos fora uma vida e nós fôssemos cúmplices.
Caminhámos a passos descansados.
- Custa-me que ao ser tão racional tu percas a tua espontaneidade.
E ali ficámos a decidir se voltávamos ao monte de fotos velhas ou regressávamos a casa.

quarta-feira, 30 de março de 2011

At the supermarket


She said - Let us take some bread for breakfast tomorrow.

He said - Sounds perfect to me.

She asked - What shall we take to go with it?

He answered - As long as you're there, I need nothing else.


Há clichés que parecem disparatados excepto ao coração dos destinatários.

quinta-feira, 24 de março de 2011

The fallen Prince

Tenho andado tão ocupada com intercâmbios culturais - leva e traz, recebe e hospeda, traduz, traduz, traduz... - que nem me apercebi de uma coisa importantíssima que aconteceu ontem na política portuguesa. Desde quando é que um gajo pode abandonar a Assembleia da República, desrespeitando os outros cabrões que lá estão, mas, claro, mais grave que isso, todos os palhaços que o puseram lá, sem dar cavaco? Então ninguém foi buscar o principezinho, puxou-lhe as calças Armani para baixo e deu-lhe ali uns valentes açoites, explicando que isso não se faz?!! Ai ai ai, já ninguém sabe dar educação...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Greece


It was beautiful. A return to the past and the fulfillment of an old dream. Gorgeous Greek rocks everywhere. Loved the food. My hips not really. Loved going. Loved coming back. Full of energy and hope. Advisable in fresh weather. Scorching heat and barren land might kill you. It was snowing in the beginning... go figure, but the sun offered us its best warmth during the days we were there. One wonders what became of that magnificent wise advanced ancient civilization... I guess the same happened to us. Some genetic detours got in the way.

terça-feira, 1 de março de 2011

True Grit


O filme mais divertido dos irmãos Cohen. Jovens a provar que podem ser actrizes brilhantes. Actores brilhantes a mostrar vezes sem conta que o são. Vale a pena. Um regresso interessante ao verdadeiro western.
Concordei com os óscares quase todos. Estava a ver que a Rede Social levava tudo. Até dei pulinhos quando o discurso arrebatou os principais. Foi interessante ver o Franco vestido de rosa choque embora o discurso do senhor Kirk Douglas tenha sido a pérola da noite.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

127 Hours


Talvez tivesse criado muitas expectativas. Provavelmente o facto de ter lido a história na Time, há vários anos, e tê-la utilizado para seduzir alunos conflituosos, me tenha levado a ver o filme com alguma ânsia. Ter o Danny Boyle como realizador ajudaria. Percebi as suas escolhas: cingir todo o filme à angústia claustrofóbica de quem, amante ávido de adrenalina, se vê preso a uma morte lenta e dolorosa. Gostei do James Franco. Adorei a banda sonora, o genérico e os planos. Reminsicências do Slum Dog Millionaire. Todavia, esperava mais. Concluo que não deveria: é uma história solitária de sobrevivência, um gajo perdido no meio de nenhures, preso a um calhau. Fazer disso um filme que se vê com alguma leveza também é uma forma de arte. Vê-se mas não se recomenda. É mais um na lista, that's all.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Flowers


M- What was the most beautiful thing someone said to you recently?

H - Well, that I was a flower wearing flowers (on my blouse).

M- That is kind of a cliché, isn't it?

H - Yes, I guess so. It's stopped being one when I asked him what flower I was.

M - And?

H- He said exactly what I was thinking.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Grammys gave birth to...

Home2

I used to enjoy being alone. Alone with my books, with my music, with my films, with myself. Now, there isn't a place nor objects that give me that sense of comfort I had for some moments in my life. Very few, I might add. Now, with my books and personal things scattered in many nooks and crannies, I feel at home around people. People who shares smiles, optimism and jokes. Not many people. Just some people. People who don't remind me of this feeling of emptiness lingering inside. Mostly strange people who can't ask disturbing questions.

King's Speech


Ser gago é tramado. Ser gago e príncipe quase a herdar o trono britânico ainda é mais.

Fingir que se é gago parece-me das coisas mais complexas para um actor, principalmente porque não se quer uma comédia. Mais um drama.

Um filme com actores geniais. Rush e Boham-Carter são únicos mas o Firth vai levar o óscar que lhe falhou no ano passado.

Um filme sobre os medos que carregamos, a forma como isso interfere na nossa vida e a importância de ter um bom amigo, alguém a quem possamos mostrar os nossos esqueletos, gaguejando ou não, sem pensar na censura que daí advém. Os cenários e o guarda-roupa são de um pormenor britânico. Seja como for, os olhos pararam-me nos papéis de parede. Um filme, cheio de quadros, uma emissão radiofónica. Uma fotografia óptima. Podia ser mais épico se envolvesse mais cenários de guerra, destacando os papéis tão corajosos deste casal real mas não era isso que se queria. Cumpriu o seu objectivo. Não acredito que vá levar o cabaz cheio mas será, quase por certo, o vencedor de dia 27.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Forget about me




Hipóteses a considerar sobre a natureza deste país:


a) os idosos tugas depois de mortos não emanam cheiros putrefactos.


b) os vizinhos dos idosos moribundos são surdos.


c) os idosos quando percebem que estão à beira da morte deviam lançar foguetes de sinalização.


d) a polícia portuguesa não autoriza o arrombamento de portas a não ser que haja droga nas instalações. Restos mortais não são snifáveis.






Aviso: se és idoso e não tens amigos, liga-te ao Facebook e Farmville. A ausência de posts e o definhar das colheitas alertará as autoridades competentes antes que as formigas cheguem.


The Fighter



Era suposto ouvir o rei discursar mas com doze nomeações, os famintos cinéfilos e os leigos esgotaram logo a sala. Apesar de não ser grande fã de pugilismo e achar que o Rocky tinha ocupado todos os espaços deste desporto na transposição cinematográfica, arrisquei. Calcei as luvas e espreitei o nomeado com sete óscares da academia. Olhem, pronto. Fiquei KO. Eu antecipava uma excelente interpretação do Christian Bale. Depois do Maquinista, achei que este actor ainda não tinha sido devidamente agraciado. Se não ganhar o óscar para melhor actor secundário, deixo de ver os Óscares. Levamos um upper-cut com aquela interpretação camaleónica a ponto de passarmos a adorar a falta de dentes e o sangue espraiado nas cordas. Para além deste aspecto, Mark Walberg está muito bem, sim senhor, as actrizes secundárias são um luxo ( o que contraria a decadência retratada) e os planos são de um lirismo raro. Filmar com esta mestria, a ponto de tornar as vivências banais, degradantes e disfuncionais em matéria épica, faz-nos acreditar que há apostas ganhas. O realizador do Cisne Negro, Darren Aronosfsky, recusou esta longa metragem e acabou por oferecer o Óscar à Portman (merecidamente, diga-se) mas David O. Russel, que pegou nesta história de vontade, crença e vícios, colocou o elenco todo na memória.

Nota: as irmãs dos pugilistas são um treat. Aqueles penteados e a forma como grunhem é deliciosa. Não sei quem foi o Casting Director mas deve ter-se divertido à brava a observar seres assim. A não perder. Seja como for, levem protecção. Vêm de lá satisfatoriamente esmurrados com arte de primeira.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Love poems for those who might need any


I carry your heart with me by E. E. Cummings

I carry your heart with me(I carry it in my heart)
I am never without it (anywhere I go you go,my dear;
and whatever is done by only me is your doing,my darling)
I fear no fate(for you are my fate,my sweet)
I want no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
I carry your heart( I carry it in my heart)

Amor
Mulher, teria sido teu filho,

para beber-te o leite dos seios como de um manancial,
para olhar-te e sentir-te a meu lado e ter-te no riso de ouro e na voz de cristal.
Para sentir-te nas veias como Deus num rio
e adorar-te nos ossos tristes de pó e cal,
para que sem esforço teu ser pelo meu passasse e saísse na estrofe - limpo de todo o mal -.
Como saberia amar-te, mulher, como saberia amar-te, amar-te como nunca soube ninguém! Morrer e todavia amar-te mais. E todavia amar-te mais
e mais.

Pablo Neruda


Para Ti
Foi para ti que desfolhei a chuva

para ti soltei o perfume da terra toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram no minuto em que talhei o sabor do sempre
Para ti dei voz às minhas mãos abri os gomos do tempo
assaltei o mundo e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano de tudo sermos donos sem nada termos
simplesmente porque era de noite e não dormíamos
eu descia em teu peito para me procurar
e antes que a escuridão nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um
amando de uma só vida

MIA COUTO

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade

Os Meus Versos

Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...

Rasgas os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...

Florbela Espanca


LOVE is anterior to life,

Posterior to death,

Initial of creation, and

The exponent of breath.

Emily Dickinson




terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Home


Sometimes I wish I could get back home and hear a simple thing. "I'll always love you, no matter what." Instead, accusations and unfounded hatred pour in in a barrage of sharp cutting words. I guess I'll never live up to mum and daddy's expectations. That's a certainty...

Just because it made me sing this dark morning

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Hey, A.....

Quando, logo pela manhã, gritam pelo nosso nome com muito entusiasmo, pode querer dizer muitas coisas:
a) Ainda bem que te apanho, quero fazer de ti escrava e aproveito para te ensaboar um bocadinho antes.
b) Tás gira eu eu gosto sempre de tentar a minha sorte com colegas de trabalho, apesar da barriga pronunciada e da aliança na mão esquerda.
c) Vou partilhar contigo o meu fim-de-semana de sonho, num outro local paradisíaco, que te vai deixar roída de inveja.
d) Vou tratar-te de forma familiar para toda a gente saber que sou dono desta merda e que tu és mais um peão subalterno.
e) Preciso ser adorado por isso falo alto para que reparem em mim.
Era um bocadinho de todas, mas essencialmente a C. O cabrão foi para Roma, can you believe it????

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Marrying type


As mulheres são e serão sempre "the marrying type". Podemos ir-nos escudando com a experiência de vida e as desilusões acumuladas no armário com tantos falhanços amorosos mas, digam o que disserem, as mulheres querem um gajo que as ame, as deixe todas partidas na cama e um pai atencioso, pronto a olhar embevecido para elas enquanto, gordas e hormonalmente perturbadas, dão de mamar ao filho de ambos. Umas adornam-se com florzinhas e rosas bebés - estão no estádio sonhador - outras descuidam-se com a imagem, engordando na barriga e nádegas - encontraram a cara metade e estão a comprar sofás - outras ainda, fingem não precisar de nada disto - afogam-se em fartas jantaradas e horas infinitas de ginásio - outras, deixam de acreditar - dedicam-se ao papel de tias. Eu, como não tenho irmãos ou irmãs, e já passei por todas as outras fases, am basically fucked. Mas como hoje apanhei sol na tromba o dia todo, não quero reflectir mais sobre o assunto.

Haze


It's all a big blur. I wish I knew how to feel but I don't really know. I don't really know what to expect, hope for or fight for. Still, I hope for better days.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Voting

"No Sudão do Sul, 99 por cento escolheram a independência".

Talvez quando nos incendiarem as casas, matarem as nossas famílias e oprimirem a nossa voz, os tugas se decidam a ir às urnas.
Alguma coisa me diz que só com a chegada do Clooney é que ficariam mesmo sensibilizados e arredariam o rabo do sofá. Mas é só um palpite.

Surprise, surprise

No outro dia, no rádio, ouvi duas coisas que me fizeram acreditar que ainda há esperança neste mundo:
1. David Luís manter-se-á no Benfica até ao final da época.
2. Há 30 anos, o actual Papa Bento XVI, na altura um teólogo com nome semelhante a cão perigoso, assinou um documento oficial, juntamente com outros teólogos, em que questionava a relevância do celibato na hierarquia católica. Tinha 42 anos. Agora, que lhe passou a pujança, já não se lembra de questionar nada. Mas valeu. Gostei de ver, Bento. Gostei de ver.

A matter of faith

Numa entrevista a Inês Pedrosa:
Jornalista: Afirmou uma vez que "As relações nascem, por vezes, mortas por falta de fé". O que quer dizer com isto?
Inês Pedrosa: O amor é frágil, é delicado e difícil de compatibilizar com o quotidiano, com as contas, as pantufas, a rotina. O mais triste é ver muita gente com medo de amar demais. Gente que não quer ficar nas mãos do outro, que não quer perder o controlo. O amor exige coragem e respeito. O amor é muito importante, porque é a fonte da sabedoria. O que se perde em amor, perde-se em conhecimento.

Hereafter and Love and other drugs

Gostaria de ter gostado do filme do Clint Eastwood mas não superou as minhas expectativas. A ideia base pode ser etérea, alvo de todas as conjecturas e pensamentos. Mas a estrutura narrativa e a ligação entre actores não me seduziu. Falta-lhe plenitude. Eu achei. Quase toda a gente adorou. Desta vez, sou como a crítica francesa. Escolho as minorias. Quanto ao Love and other drugs, adorei. Bem escrito, boas piadas, excelentes actores. Gostei. Até da forma como o Viagra entra. Maybe because I am into light things. Nothing heavy. Had too much of that.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Hungry


Because I am eating too many biscuits... I might as well empty the jar. Then break it before it fills again.

Listen but don't go for it

Pó cara$%#/?, put#%#&#"& que os pariu, desgraçados, miseráveis, sacanas de m"#$$&, estes gajos que escrevem canções destas pelas quais uma gaja se apaixona, porque é tudo MENTIRA. Ouviram? mentira. Fat, fat, obscene, imense, huge, greasy, beautiful, extraordinarily, hopeful LIES.

Presidents

Um trabalhador, numa fábrica de aço dos Estados Unidos da América, afirmou uma vez, aquando a escolha de Bush (filho) para o segundo mandato e a possibilidade de Clinton regressar para um terceiro mandato:
- I would trust Bush with my daughter and Clinton with my job.
Hoje, ao olhar para aquelas carinhas tristes no boletim de voto, não me apeteceu confiar a minha vida a ninguém. Votei e dobrei muito o papelinho. Ao enfiá-lo na urna, a senhora da mesa exclamou "Ai, assim não!" "Assim, como?" perguntei. "Mais dobrado" respondeu-me. Questionei-a se me anulariam o voto se fosse assim. "Não, claro que não". Nesse caso, nas próximas eleições, faço um origami. O Cavaco teria ficado lindo na proa de um barquinho, o Nobre na popa, o Alegre a quilha e o Coelho uns remos, para animar a coisa.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Bath

- Ouve lá, estás com um aspecto um bocadinho ranhoso.
- Achas mesmo? Que observação tão feminina! Tou-te a estranhar, Manel.
- Não me confundas com uma borboleta mas esse cabelo já levava uma esfregadela com champô!
- Eu sei. Tens razão.
- Cortaram-te a água no bairro, foi?
- Não. Se tomar banho agora não me vou lembrar do cheiro dela na minha pele, é só por isso.

Friday afternoon


They were just enjoying the sunshine and the cold wind approaching. A nice hot chocolate and good conversations about cinema and love. Some music as well.

- What's wrong? You were always so brave. It's not a failure. It's just you looking for something. Being true to yourself.

- You're right. I have always been true to what I believe and to what my heart says.

- Curiously enough, I can hear your head louder than ever... It is strange.

- I know. I don't really like it either. It's just that my heart has been calling the shots for too much time... and I guess I am tired of the bumpy ride. That's all.

Then they asked for a beer and spoke about good books and photography.

New singer

Há umas semanas apaixonei-me por esta versão e por esta cantora. MAria Gadu. Gosto da forma como canta "me desmilinguí..."



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

You're the woman for the job

Quando nos começam a elogiar do nada, reforçando a negrito a palavra perfil como se tivéssemos nascidos predestinados a desempenhar aquela função, há que desconfiar. Estamos efectivamente a ser fu&%$"d de uma forma descarada, que é como quem diz, como não me apetece fazer esse trabalho, atiro-te às feras. Tens carninha tesa, aguentas. Adoro reuniões assim. Profissionais.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Golden Globes 2011

O Social Network arrecadou o globo para melhor filme e outras categorias. Foi o grande vencedor. Ora venha de lá o botãozinho para clicar:


Photos


As fotografias imortalizam sorrisos, mais ou menos sentidos. As fotografias fazem-nos sentir saudades dos cheiros e toques que nos inflamaram as entranhas. As fotografias activam lembraças enterradas e dores recentes. Seja como for, gosto de as percorrer, revisitar como escolhas conscientes. Trazem-me à memória coisas simples, canduras, loucuras, ventos agrestes e areias quentes. Apesar de sorrir muito, tenho poucas que me mostrem a alma. Apesar das sombras, do grão, das mal focadas, dos olhos vermelhos, gosto de todas. Mesmo daquelas que recusei.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Moments

No outro dia conversava com uma amiga sobre a lembrança constante que ela tem do ex-namorado. Hoje, outra colega tinha sido trocada por uma espanhola. Doía-lhe há quase um ano.
Caraças. Achava que só as mulheres eram recolectoras e que os homens se limitavam a caçar um grande mamute. Cansavam-se, depois enterravam-se no sofá, agarradinhos ao comando, comendo a carne farta à mão de semear e engordavam até à crise dos cinquenta (até essas vêm mais tarde). Afinal, são os antigos caçadores que agora coleccionam cartinhas. Damas de copas. E outras vão ficando para trás, de copas partidas.
O pior deste cenário neo-histórico é que as mulheres, num misto de eterno deslumbramento e inocência, esperam pelo regresso do caçador, quando a fruta colhida apodrecer. Alimentam-se da esperança que elas próprias criam e do imenso coração que as impele a aguardar... por uma coisa que no seu entender foi perfeita, acreditando que eles estão perdidos num engano momentâneo e que voltarão ao trilho certo. Hoje apercebi-me que as mulheres são seres incansáveis. Amantes incansáveis, donas de uma esperança incomensurável que só lhes lixa a vida. Mesmo assim e também por isso, admiro-as profundamente.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

The fall

É importante perceber que não controlamos tudo. Rendermo-nos à evidência de que a vida nos prega rasteiras violentas. Caímos espraiados no chão, vazios. Ecoamos pela calçada e amaldiçoamos a banana que pisámos. Vociferamos palavrões para dentro. Esperamos ter passado despercebidos para evitar dores maiores. Erguemos o corpo desenxabido. Confirmamos as nódoas negras, apalpando a pele dorida. Sacudimos a poeira e a sujidade das roupas finas. De a alma andrajosa e rota continuamos em frente, como se nada fosse.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Voyeurism

Sometimes we pick up a book and pry into someone's inner secrets. We discover brilliant minds at the age of sixteen and complex worlds we never thought possible. Diving into an intricate woman's diary, sharing her most deepest torments and beautiful visions takes us away from our barren insipid reality. As I lingered through Sunsan Sontag's diary, I realized someone else was prying into my reading, as if the words absorving me were part of my intimacy. Someone else was being as voyeuristic as me. When I caught the spy red-handed, he blushed and dove back into his book. I got up and left at page 101.
"Quem inventou o casamento era um engenhoso torturador. É uma instituição devotada ao entorpecimento dos sentidos. O objectivo absoluto do casamento é a repetição. O melhor que pode aspirar é a criação de fortes dependências mútuas.
As discussões acabam por se tornar irrelevantes, a menos que um dos dois esteja sempre preparado para as levar por diante - isto é, a acabar o casamento. Por isso, depois do primeiro ano, deixa-se de "fazer as pazes" depois de discutir - recai-se num furioso silêncio, que passa a silêncio normal e depois tudo recomeça novamente."

Susan Sontag, Renascer, Diários e Apontamentos