quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Solnado

Porque era um humorista absolutamente fabuloso, porque tinha tiradas geniais, porque usava o silêncio como ninguém, a espera, aguentava o riso compulsivo do público e manipulava-o, deixo aqui a homenagem a Raúl Solnado. Todavia, escrevo também porque ele telefonou a um grande amigo, sabendo que o seu coração estava por um fio, querendo despedir-se de quem partilhou os êxitos consigo: Carlos Cruz.
O que causa alguma estranheza é como tantos amigos deste antigo portento da televisão e comunicação nunca o abandonaram. Nunca. Será que não percebemos as taradices dos nossos amigos? Será que em anos e anos de convivência desconhecemos que são criminosos pérfidos, manipuladores, potenciais usurpadores da inocência infantil? Será que conseguimos dissimular assim tão bem? Serão assim tão ignorantes os nossos mais fiéis amigos? Ou será que alguém se enganou? Será que as amizades eternas perdoam os crimes mais hediondos? Achei interessante aquele telefonema. Continuo sem saber quem é inocente. Isso incomoda-me. Ainda que nos dissesse para "fazermos o favor de sermos felizes" há sempre rios de dúvida lamacenta pelo meio.

1 comentário:

J. Maldonado disse...

1. A morte de RS foi uma grande perda para a comédia portuguesa.
Contudo, quando era puto, apreciava mais a comédia dos discípulos de RS: Nicolau Breyner e Herman José...

2. O último parágrafo é capcioso, pois, até haver trânsito em julgado duma sentença condenatória, Carlos Cruz é inocente.
Quem o condenou foram os Media, os quais influenciaram a decisivamente a opinião pública, que o considera pedófilo.
No dia em que os Media tiverem poder de julgar casos, será o fim do poder judicial...