Talvez tivesse criado muitas expectativas. Provavelmente o facto de ter lido a história na Time, há vários anos, e tê-la utilizado para seduzir alunos conflituosos, me tenha levado a ver o filme com alguma ânsia. Ter o Danny Boyle como realizador ajudaria. Percebi as suas escolhas: cingir todo o filme à angústia claustrofóbica de quem, amante ávido de adrenalina, se vê preso a uma morte lenta e dolorosa. Gostei do James Franco. Adorei a banda sonora, o genérico e os planos. Reminsicências do Slum Dog Millionaire. Todavia, esperava mais. Concluo que não deveria: é uma história solitária de sobrevivência, um gajo perdido no meio de nenhures, preso a um calhau. Fazer disso um filme que se vê com alguma leveza também é uma forma de arte. Vê-se mas não se recomenda. É mais um na lista, that's all.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Flowers
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Home2
I used to enjoy being alone. Alone with my books, with my music, with my films, with myself. Now, there isn't a place nor objects that give me that sense of comfort I had for some moments in my life. Very few, I might add. Now, with my books and personal things scattered in many nooks and crannies, I feel at home around people. People who shares smiles, optimism and jokes. Not many people. Just some people. People who don't remind me of this feeling of emptiness lingering inside. Mostly strange people who can't ask disturbing questions.
King's Speech

Ser gago é tramado. Ser gago e príncipe quase a herdar o trono britânico ainda é mais.
Fingir que se é gago parece-me das coisas mais complexas para um actor, principalmente porque não se quer uma comédia. Mais um drama.
Um filme com actores geniais. Rush e Boham-Carter são únicos mas o Firth vai levar o óscar que lhe falhou no ano passado.
Um filme sobre os medos que carregamos, a forma como isso interfere na nossa vida e a importância de ter um bom amigo, alguém a quem possamos mostrar os nossos esqueletos, gaguejando ou não, sem pensar na censura que daí advém. Os cenários e o guarda-roupa são de um pormenor britânico. Seja como for, os olhos pararam-me nos papéis de parede. Um filme, cheio de quadros, uma emissão radiofónica. Uma fotografia óptima. Podia ser mais épico se envolvesse mais cenários de guerra, destacando os papéis tão corajosos deste casal real mas não era isso que se queria. Cumpriu o seu objectivo. Não acredito que vá levar o cabaz cheio mas será, quase por certo, o vencedor de dia 27.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Forget about me

Hipóteses a considerar sobre a natureza deste país:
a) os idosos tugas depois de mortos não emanam cheiros putrefactos.
b) os vizinhos dos idosos moribundos são surdos.
c) os idosos quando percebem que estão à beira da morte deviam lançar foguetes de sinalização.
d) a polícia portuguesa não autoriza o arrombamento de portas a não ser que haja droga nas instalações. Restos mortais não são snifáveis.
Aviso: se és idoso e não tens amigos, liga-te ao Facebook e Farmville. A ausência de posts e o definhar das colheitas alertará as autoridades competentes antes que as formigas cheguem.
The Fighter

Era suposto ouvir o rei discursar mas com doze nomeações, os famintos cinéfilos e os leigos esgotaram logo a sala. Apesar de não ser grande fã de pugilismo e achar que o Rocky tinha ocupado todos os espaços deste desporto na transposição cinematográfica, arrisquei. Calcei as luvas e espreitei o nomeado com sete óscares da academia. Olhem, pronto. Fiquei KO. Eu antecipava uma excelente interpretação do Christian Bale. Depois do Maquinista, achei que este actor ainda não tinha sido devidamente agraciado. Se não ganhar o óscar para melhor actor secundário, deixo de ver os Óscares. Levamos um upper-cut com aquela interpretação camaleónica a ponto de passarmos a adorar a falta de dentes e o sangue espraiado nas cordas. Para além deste aspecto, Mark Walberg está muito bem, sim senhor, as actrizes secundárias são um luxo ( o que contraria a decadência retratada) e os planos são de um lirismo raro. Filmar com esta mestria, a ponto de tornar as vivências banais, degradantes e disfuncionais em matéria épica, faz-nos acreditar que há apostas ganhas. O realizador do Cisne Negro, Darren Aronosfsky, recusou esta longa metragem e acabou por oferecer o Óscar à Portman (merecidamente, diga-se) mas David O. Russel, que pegou nesta história de vontade, crença e vícios, colocou o elenco todo na memória.
Nota: as irmãs dos pugilistas são um treat. Aqueles penteados e a forma como grunhem é deliciosa. Não sei quem foi o Casting Director mas deve ter-se divertido à brava a observar seres assim. A não perder. Seja como for, levem protecção. Vêm de lá satisfatoriamente esmurrados com arte de primeira.
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