quinta-feira, 10 de junho de 2010

Why?

Respondendo a um repto de uma blogueira que estimo muito, e simultaneamente de uma amiga que guardo no coração, aqui vai.

1. Porque que é que criou um blogue e, quando o criou, tinha expectativas de que fosse popular?
Criei um blog para saber se conseguia escrever para além do meu espaço profissional, para desabafar e para partilhar experiências. Não tinha quaisquer expectativas. Não faço ideia do número de pessoas que lêem o meu blog mas agradeço a todos os desconhecidos que o fazem por prazer.

Em que data exacta iniciou o blogue?
Se não me engano foi a 16 de Janeiro de 2008.

Nomeie 5 seguidores leais.
Acho que não tenho assim tantos:) mas aqui vai:

Obviário

A terceira via

À conversa

A mulher de trinta anos

Kafka

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Roses are red ...


To Eva. For keeping me awake until 2a.m. and for letting me know that there is courage and love beyond belief. Sorry to just have known about you now. Your message will pass on. To the blog world for enabling this.



terça-feira, 1 de junho de 2010

Sorry to interrupt...

Ontem apeteceu-me enfiar-me num centro comercial num intervalo do trabalho para respirar a frescura do ar condicionado. Depressa passei revista às montras para me enfiar na Fnac. Parei os olhos no novo livro da Inês Pedrosa tão elogiado na manhã da Antena 1, por um dos jornalistas do Hotel Babilónia. Raptei-o por momentos e acantonei-me no refúgio dos leitores pobres. Já ia na página vinte quando me perguntou:
- Desculpe se a interrompo mas, não acha fantástico estarmos aqui a ler, podendo usufruir momentaneamente dos livros sem dar nada em troca?
Estava todo vestido de branco e tinha um ar estrangeirado. Uns óculos muito escuros na cabeça queimada pela longa ausência de cabelo.
- Sim, é óptimo - disse, imaginando que vinham a caminho umas mariquices para me interromper a leitura lançada.
- Já decidiu se vai levar o livro? - perguntou. - Há livros que valem a pena, outros limitam-se a ocupar espaços.
- Visto nessa perspectiva, sinto que depois de lido, por muito bom que seja, não será retirado da estante para leituras futuras. Ainda estou a decidir.
- Talvez os algarismos na parte de trás a convençam.
- Bem visto - olhei para a contracapa - provavelmente volto na quarta para novo avanço. Sorri.
- Eu tenho centenas de livros espalhados pela vida de outras pessoas. Guardo-os nesta memória de um velho de 85 anos. É o suficiente.
- Bem gostaria de fazer o mesmo. Tenho uma relação de posse com os livros. Poucas coisas me despertam ciúme ou revolta como os meus livros. Empresto mas gosto que regressem às minhas estantes.
- Mais uma vez, desculpe incomodá-la, não queria perturbar a sua leitura mas é que fiquei viúvo recentemente e sabe, tenho-me sentido um pouco sozinho. Tenho saudades de conversar.
Os olhos encheram-se de água e rasgou os lábios com um sorriso de dentes velhos mas persistentes.
- Lamento muito a sua perda - respondi-lhe. (Acho que nunca tinha dito isto de forma tão sentida.)
- Também eu - afirmou, sorrindo uma vez mais.
Falámos do cizentismo dos portugueses, de Nietzsche, de Padre António Vieira, de gargalhadas e de como às vezes é bom falar com estranhos. Chama-se Francisco José e provavelmente nunca mais falarei com ele. Há muito tempo que não me acontecia uma conversa tão boa.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Women waiting for boring meetings

C1- Não sei há quantos anos não mudo a cama!
A- Ah, sim? Então porquê?
C- O meu marido é tão obsessivo que só como ele faz é que está bem. Então eu faço-lhe a vontade... deixo-o fazer. Há vários anos. (ri-se)
A- Bem, o meu namorado também acha que só ele sabe colocar as embalagens de leite por data... mais recentes atrás, mais velhas à frente... passo-me com estas picuinhices.
C- O teu namorado não enfia cotonetes no ralo do lavatório para limpar, pois não?
A- Isso não.
C- Então não sabes o que é ser picuinhas.



C2 - A minha cunhada é mesmo loira burra.
A- Porque dizes isso?
C2 relata vários episódios, todos sem qualquer momento de humor. As restantes três mulheres, ainda a tentar digerir o almoço simpático não fazem o mínimo esforço por rir ou tentar entender.
A -Porque casou o teu cunhado com ela?
C2 - Não faço a mínima ideia.
M - Ela é gira?
C2- Nada!
A, C1 e M ficam em silêncio mas conseguem ler nos silêncios umas das outras: (Tás é mal resolvida; isso é dor de cotovelo, as mamas da outra devem ser maiores, falta-te algo nessa vidinha que levas....)
A- Ela lixa-te a vida?
C2- Não, claro que não. Achas?
A - Por momentos parecia...



M- Eu também tive um tipo por muitos anos.
A- Falas dele com carinho... tens saudades?
M- Não. A coisa nem sempre funcionava. Só com o J é que tive um orgasmo. Nem sabia o que isso era em todos os anos que estive com o M.
A - Então e sozinha? Não brincavas aos DJs?
C1 (rindo-se) - Parece que não.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Listen...

I am not a lucky girl




Já que estava em casa à hora de almoço, aproveitei para ouvir a Radar e me fazer ao passatempo Grizzly Bear, que tocam amanhã no Coliseu com a Cibele a fazer a primeira parte. Almocei a correr e não levei o pc comigo porque achei que 10 minutos não iam fazer a diferença (tenho o stereo morto e enquanto não mudo de casa, vou ouvindo pelo PC) ... quando regressei, ainda a deglutir o peixe, descobri que outro urso qualquer me tinha roubado o bilhete! M*^*^*^a. Tenho mesmo um azar do C*^*``@*´~*!! Mais valia ter ido de pijaminha dormir para a IKEA de Loures, sempre me safava com um beliche ou uma cadeirinha para o escritório.








A crise faz-me procurar alternativas nem sempre muito viáveis ou inteligentes, mas crise é crise, e se não a levo a sério, começo a fazer fila para outras coisas mais básicas como uma simples sopa.

domingo, 23 de maio de 2010

The secret of her eyes

Passei a ter mais apreço por Hollywood, ou melhor, pela Academia que consegue reconhecer num filme estrangeiro aquilo que deixou de fazer há muito: contar belas histórias de amor. Tudo sem beijos deslambidos, explosões exageradas e argumentos descabidos. Como se não bastasse, ainda conseguem colocar-lhes uma linguagem brejeira plausível (talvez porque os Fuck só me lembrem músicas de hip-hop) e um sentido de humor muito latino. El secreto de sus ojos é também um filme de amor intenso, das vidas que invejamos, das várias formas de manifestar sentimentos profundos por alguém, por mais estranhas e tortuosas que sejam, de paixões doentias, dos malefícios da ditadura e de como esganou, desviou e desfez a vida dos argentinos. A beleza que nos fica dos olhares intensos e dos amores por cumprir, depressa se desmorona quando saímos do King, única sala de jeito em que o filme está a ser exibido, e percebemos que o nosso imaginário apaixonado nada tem a ver com a realidade.
Filmes sobre amores assim só fazem mal. Abstenham-se.