terça-feira, 22 de abril de 2008

Beauty

Sometimes, some moments, some voices, some songs... are irreplaceable. I bow before this one - Chilling.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Final

Gosto deste poema. Sempre preferi os cães aos gatos mas abro uma excepção a esta felina.

Quero acabar como uma gata,
beber leite em tigelas de barro,
comer peixe fresco e fetos.
Quero ser uma gata para me deitar
entre os livros que estás a ler,
deixar pêlos meus pela casa toda,
arranhar-te as pernas.
Quero acabar como uma gata,
para que me fales quando estiveres só,
convencido de que nunca te vou compreender,
rasgar-te papéis importantes,
extraviar adornos de valor.
Quero ser uma gata para de noite subir aos telhados
e ouvir-te desesperado a chamar-me:
Miau, miau, miau, miau...



Zoé Valdéz

My school

As escolas são tão diferentes quanto as realidades que as abarcam - os alunos, os professores, os funcionários, as instalações, etc.. A minha escola é especial. Todas as escolas são especiais quando a sentimos nossas. Esta é especial porque se trata de um território de intervenção prioritária. Perguntar-se-ão neste momento "Qual é a prioridade?". Para o Ministério não sei. Para mim: sobreviver. Na minha escola, o momento de entrada para as aulas assemelha-se aos recentes motins no Quénia. Na minha escola não há barulho... há um ruído ensurdecedor, de furar os tímpanos e provocar enxaquecas. Na minha escola há miúdos pobres, com fome, de famílias disfuncionais, totalmente desenraízados que, por todos estes motivos e também porque lhes apetece, vão armados para as aulas, agridem os colegas porque "Ele me estava à provocá" (e este provocar pode ser o simples chamar pelo nome) e ofendem os professores, desrespeitando as suas ordens, roubam fora e dentro do espaço escolar e gritam como se não houvesse amanhã. Esta é a minha escola este ano. Deve haver piores (esta frase é uma forma de suavizar o esforço e de me confortar porque, na verdade, não as deve haver). Esta é a minha realidade, felizmente apenas por um ano. A vida não é perfeita. É verdade. Mas pela primeira vez na minha vida, estou a esgotar as estratégias e o que era um prazer antigo está a revelar-se um fardo difícil de suportar. Acredito que, dadas as circunstâncias, estou a sair-me muito bem (ainda não fui agredida, o carro não tem riscos novos e o telemóvel é o mesmo), inclusivé, nas aulas. Ultimamente tenho contado os dias...sinto-me parte do Prison Break.
Ainda não percebi como uma riqueza e variedade de exemplos escolares desta natureza pode passar despercebida ao Ministério da Educação. Sra. Ministra, iríamos adorar recebê-la. E os nossos meninos também!
Vou colocar aqui algumas pérolas do quotidiano escolar. Salvaguardo a existência de bons exemplos. Todavia, os que se seguem fazem as delícias dos incrédulos e legitimam o ambiente asséptico dos colégios particulares de elite. O nível das pérolas procurou ser suavizado, em alguns casos, através do uso da língua estrangeira:
  • Student of the 5th form, around 13 years of age, opens the door of a classroom and shouts at the teacher (who did not know him): "YOU BLONDE BITCH".
  • First day at school. Teacher: "So, why don't you want to introduce yourself in English?"... Student: "Well, I already know how to speak English."... Teacher: "That's great. Say something."...Student. "WANNA FUCK?"
  • Teacher. 6th form. Teacher: "Your behaviour is unacceptable. Leave the room at once." ; Student: "Chill out teacher. I'm going. Don't get so stressed you might lose some of your hair... on your head and down below."
  • Teacher: "You are being very rude, young lady. Get back to your seat." Student: "Vai pó.....
  • P.E. Teacher. Outside the school. Speaking on the phone. Student passes by and screams in her hear "És toda boa!!!"
  • Teacher: "The class board of the teachers has decided to punish you for your behaviour. More homework."... Student: "It must have been that teacher...That COW."

Há mais, muitas mais e piores. Como não posso desenhar as agressões, nem pôr cadeiras a voar, aguardam-se cenas dos próximos capítulos. Garanto-vos que acção há de sobra. Mais que nos fimes do Jackie Chan.

domingo, 20 de abril de 2008

Some films are better left unseen

Num típico serão de sábado à noite, decidi convencer uma amiga, seguindo a sugestão de outra a ver o novo filme do Coppola, "Uma Segunda Juventude". Deveremos recear os realizadores quando atingem uma idade avançada. Outrora geniais, dá-lhes para o experimentalismo ou para a parvoeira. Não sei como catalogar este. O Vitor acharia logo que os meus gostos cinematográficos são duvidosos. Calha-lhe cada filme :))
Um homem de 70 anos é atingido por um relâmpago e subitamente começa a regenerar-se. Até aqui tudo bem... vamos juntar mais uns ingredientes:
  • O homem começa a desenvolver uma espécie de alter-ego, ou dupla personalidade, if you like;
  • Os Nazis tentam capturar este espécime fabuloso mas sem sucesso;
  • O homem passa o tempo todo a fugir pela Europa até terminar a Segunda Guerra Mundial;
  • Vai registando o seu célere desenvolvimento intelectual e a sua memória estrondosa através de registos escritos e de voz. Inventa uma língua para registar tudo isto;
  • Conhece uma mulher numa passagem pela Itália que lhe lembra um amor outrora perdido;
  • Encontra a rapariga numa gruta, depois de uma tempestade, convencida que é uma reencarnação de um qualquer iluminado indiano;
  • Chama um linguísta italiano e levam-na numa expedição até uma zona da Índia, em busca da gruta onde a suposta rapariga, noutra vida, havia escrito textos milenares.

(É preciso ter em consideração que a jovem vai emitindo sons estranhos (sânscrito, sumério, por aí) e ao espectador é negada a habitual crítica ao legendador. Para além disso, o vizinho do lado não controlou um ataque de flatulência e o de trás, tinha bichos carpinteiros nas pernas).

  • Apaixonam-se e ela leva-a para Malta. O sítio é giro mas eles não fazem muito mais do que experiências linguísticas (com cadernos e os devidos gravadores, atenção);
  • Ele vai explorando o conhecimento das línguas mais antigas da humanidade (a rapariga vai tendo uns flashbacks de vidas passadas e vai envelhecendo);
  • Ele deixa-a, para que ela volte a ser jovem;
  • O protagonista regressa à Roménia, ao café onde partilhava os seus conhecimentos com os restantes professores universitários.... os dentes caem-lhe, envelhece e morre.

Última pergunta do filme... "Where shall I put the third rose?"... Well, I could be really dirty and tell you what I felt like saying at the time.

Um pequeno detalhe me consola. O nosso Ministro das Finanças fez a mesma escolha triste que eu e garanto-vos, a cara de caso com que saiu da sala falava por si. Se não era pela trampa de filme a que assistiu, devia ser pelas finanças do país.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Marriage


Tenho dois colegas de trabalho à minha frente a preparar pormenorizadamente o casamento de amigos próximos. Se as pessoas que vão em frente com esta festa tivessem noção do dinheiro que irão precisar para arranjar carros, pagar multas, prestações de casas, entre outras coisas giras, não investiriam tanto dinheiro num só dia... Há que louvar o investimento e a dedicação. Acima de tudo, a crença de que vale a pena.



Repetem constantemente "é uma surpresa, o noivo não sabe...". O casamento é sempre uma surpresa. Há tanta coisa que o noivo não sabe nem adivinha relativamente ao que tem pela frente, ... nos muitos anos em conjunto com uma mulher - estes pequenos brindes não são nada perante a odisseia recambolesca que o espera. A ele e a ela. Já dizia a minha avó "O casamento é uma carta fechada". O engraçado está nos progressos que se fizeram, nas cartas de foram sendo abertas antes de tempo, nas descobertas devidas. É engraçado porque apesar de todas as alterações no conhecimento do outro, o envelope foi, de facto, aberto, mas a carta continua indecifrável. Resta-nos a esperança de poucos que ainda acreditam valer a pena a festança. Também lhes darão graças, os serviços de catering e proprietários de quintas para aluguer.


P.S. - A "Avé Maria" de Schubert continua a ser a melhor abertura para a entrada da noiva. Há que ser enforcado com estilo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

I wouldn't call it delivering services...

1º Tem uma multa para pagar. Papel vindo do tribunal referente a mensalidades da ADSL em atraso.
2º Ligo para a PT - "Impossível, a linha foi cancelada há 4 anos."
3º Resposta da PT -"Essa linha está activa!"
4º Olhos esbugalhados "Como, enviei um fax para o nº que me enviaram..."
5º Resposta do outro lado da linha "Desculpe minha Sra. mas não recebemos nada".
Tempo de pausa para me aperceber do dinheiro perdido até ao momento e procurar os comprovativos de um cancelamento feito há quatro anos... vómitos, tonturas, náuseas. Long gone papers.
6º Novo telefonema para a PT- "Eu já não vivia nessa casa e, não pagando (dado que "não receberam" o fax hum, hum) o serviço é cortado, não é mesmo?"
7º Resposta da nova operadora no linchamento do cliente "O serviço é suspenso mas a linha continua activa" (referindo-se à ADSL). Deixa-me ver se percebi: não tenho acesso à net, mas a linha continua activa... e eu preciso pagar pelas ondas que a linha transmite... mesmo não acedendo ao serviço. Porreiro, pá!
8º Envio novo fax para novo número dado pela operadora de linchamento do cliente para cancelar a linha telefónica. Terça-feira.
9º Sexta-feira - balcão do centro comercial Vasco da Gama: "aqui não se pagam multas".
10º Acelero até às Laranjeiras. Loja do Cidadão - "Encontro o seu processo, mas não as facturas. Têm mais de seis meses"
Resposta: "Pudera, são de há 4 anos."
Pergunta: "Não tem nenhuma consigo? Precisa de ir à sede a Picoas, então".
Resposta: "Se soubesse que ainda me estavam a enviar essas facturas, tê-las-ia pago. Correspondem a uma linha que cancelei há 4 ANOS! Para que querem vocês o serviço informatizado?
Nova pergunta: "Confirme-me so, por favor, se a linha já foi cancelada?"
Resposta: "Está activa e não deu entrada nenhum pedido."
Pergunta com espuma e cabelos no ar, seguida de ordem absolutista: "Como???Cancelei outra vez a semana passada. Cancele já aqui, por favor."
Resposta que n devia ser dada: "Claro, tem que ir ao balcão do lado." (Com 15 pessoas à frente, fluindo como lesmas).
Pedido/ Ordem: "Traga-me o livro de reclamações, por favor."
Resposta ilegal: "Não temos aqui no balcão. Tem que ir à gestão de lojas do terceiro piso."
Hoje de manhã. Sede da PT no Picoas. Antes de esperar e desesperar mais uns minutos largos, paguei a multa.
11º Balcão da Sapo, filhote da PT.
Quando só me apetece esganar todas as pessoas que fornecem indicações erradas no que toca ao serviço ao cliente. A T-shirt do funcionário tem um sapo com uma auréola e diz o seguinte:
A culpa não é minha.
12º Pensamento meu: "You've got to be kidding me".

domingo, 13 de abril de 2008

Heart


Um dia, acontece-me como no genial título de um filme francês que nunca cheguei a ver e


de tanto bater, o meu coração pára.